Condições de trabalho no cultivo da cana-de-açúcar no Brasil

 

Artigo analisa condições de trabalho no cultivo da cana-de-açúcar no Brasil

Estudo também aponta repercussões sobre a saúde dos canavieiros

 

O artigo Condições de trabalho no cultivo da cana-de-açúcar no Brasil e repercussões sobre a saúde dos canavieiros foi publicado pela Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO), periódico científico de acesso aberto e com revisão por pares, editado pela Fundacentro.

Para analisar essa questão, os autores realizaram revisão de literatura nas bases LILACS, PubMed/MEDLINE e SciELO e incluíram estudos originais publicados em português, inglês e espanhol, de 1970 a 2018. “A análise dos trabalhos evidenciou o sistemático descumprimento das normas trabalhistas, previdenciárias e de saúde”, afirmam os autores.

Em relação às condições de trabalho, os estudos constataram ausências de intervalos de descanso, jornadas excessivas de trabalho, deficiência na distribuição dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e na oferta de treinamentos para o seu uso, precariedade da distribuição e orientação sobre uso de repositores hidroeletrolíticos. As condições dos alojamentos e da alimentação dos trabalhadores também eram inadequadas.

Outros problemas foram percebidos como pressões e conflitos existentes no ambiente de trabalho, vínculos de trabalho precários, baixos salários e pagamento por produção. Diante desse quadro, as repercussões sobre a saúde e segurança dos canavieiros incluem: exaustão física e psíquica dos trabalhadores, afecções musculoesqueléticas e articulares, hipertermia e acidentes de trabalho.

“As pressões pelo aumento da produtividade no setor canavieiro ao menor custo possível levam o trabalhador a despender grandes esforços para assegurar uma produção elevada, desencadeando um ritmo de trabalho intenso e extenuante, o que caracteriza a superexploração existente nas lavouras de cana-de-açúcar”, afirmam os autores.

Assim concluem que as condições de trabalho nesse setor, “aliadas às diferentes vulnerabilidades existentes nos territórios, levam ao adoecimento e à morte, demonstrando que frequentemente os interesses econômicos se sobrepõem aos cuidados com a saúde dos trabalhadores”.

 

Fonte: Fundacentro

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