Você conhece os métodos de avaliação sonora?

 

Pela Norma Regulamentadora número 15 (NR-15), que estabelece diretrizes para atividades e operações insalubres, e, portanto, aborda a exposição ocupacional ao ruído, o limite máximo de exposição de pressão sonora do trabalhador durante um período de 8 horas são 85dB (decibéis).

Mas além da pressão (decibéis), outra característica importante quando falamos de ruídos é a frequência de oscilação da onda sonora. O ser humano consegue captar sons emitidos nas faixas de 20 a 20.000 Hertz de frequência. Este fator é importante porque há sons que podem ser emitidos com a mesma intensidade sonora (decibéis), porém com frequência diferente, e isso pode fazer total diferença durante a avaliação.

 

MÉTODOS DE AVALIAÇÃO SONORA

Dois dados são necessários para que seja feita a escolha do Equipamento de Proteção Individual (EPI) quando o assunto é proteção auditiva: o primeiro é o nível do ruído do ambiente (conforme descrito na NHO-01 – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído da Fundacentro) e o segundo é a tabela de atenuação do protetor, que pode ser obtido no Certificado de Aprovação (CA) do produto.

Existem dois métodos aceitos para avaliação da proteção auditiva, o primeiro é o método simples e o segundo é o método longo.

 

MEDIÇÃO SONORA NO AMBIENTE

Para selecionar um protetor auditivo com a correta atenuação, é preciso conhecer a exposição do trabalhador e saber diferenciar o ruído que sai da máquina, ou até mesmo o ruído ambiente, daquele que chega à zona auditiva do trabalhador.

Diferente do decibelímetro, que fornece medições instantâneas, o dosímetro fornece a dose de exposição total que o trabalhador recebeu em sua jornada, influenciada diretamente pelas atividades e tarefas desenvolvidas.

A dose de exposição fornecida nas medidas de 0 a 1 ou de 0% a 100%, indica uma quantidade máxima de ruído que a maioria da população “tolera” sem sofrer danos à audição.

Exemplificando, uma dose de 1 ou 100% é equivalente a uma exposição de 8 horas contínuas a níveis de ruído de 85 decibéis, o que seria o limite de tolerância. Mesmo submetido a diferentes intensidades de ruído e por tempos também diferentes, o dosímetro calcula a dose total de exposição baseado no tempo de cada exposição dividido pelo tempo máximo permitido, segundo a NR-15.

 

MÉTODO SIMPLES DE AVALIAÇÃO

O cálculo do método simples é feito subtraindo a média de decibéis encontrada no ambiente com a média de atenuação NRRsf (Noise Reduction Rate Subject Fit).

Pressão sonora com EPI = Nível do ruído medido no ambiente – NRRsf

Por exemplo: um ambiente de trabalho com a pressão sonora medida de 110 decibéis e o usuário utilizando o abafador de ruídos que possui atenuação média (NRRsf) de 25dB vai deixar o trabalhador no limite máximo de 85dB.

 

MÉTODO LONGO DE AVALIAÇÃO

O método com mais precisão para analisar um ambiente de trabalho com ruído é utilizando a tabela de atenuação, este método é conhecido como método longo, obtido nos testes e expressos na tabela de atenuação. Com este método, o engenheiro/técnico de segurança do trabalho consegue fazer uma análise apurada.

O nível de pressão sonora do ambiente para cada banda de frequência deve ser medida, em seguida o engenheiro/técnico de segurança deve fazer os cálculos para cada banda de frequência utilizando os dados da tabela de atenuação do EPI e estes dados coletados sobre o nível de pressão sonora do ambiente, analisando se com o EPI escolhido fornecerá proteção suficiente a fim de que o trabalhador esteja exposto a um ruído abaixo do limite permitido por norma.

 

EFICIÊNCIA DE PROTEÇÃO

A eficiência de atenuação do ruído nos EPI’s está relacionada ao nível de vedação acústica do produto. Caso a vedação proporcionada dentro e/ou ao redor das orelhas esteja inadequada, seu desempenho será menos eficiente, e consequentemente não terá a atenuação esperada.

Para fazer a melhor utilização do EPI, é necessário:

• Treinar os usuários a fim de entender a importância e a maneira correta de utilizar e fixar o EPI;
• Evitar o uso de apetrechos que possam diminuir ou impedir a correta vedação do EPI.
• Escolher o tamanho certo de acordo com o usuário, pra isso o ideal é que a empresa compre diferentes modelos e tamanhos de protetores a fim de definir qual se adequará melhor ao trabalhador;
• Fazer inspeções periódicas a fim de conferir sua integridade e funcionalidade.
• Realizar a higienização correta conforme indica o manual de instruções do produto.
• Substituir dentro do prazo estabelecido pelo manual ou em tempo menor se isso for estipulado pela equipe de segurança do trabalho.
• Guardar o equipamento higienizado e seco em ambiente limpo, fresco e protegido do sol. É muito importante manter em embalagem vedada sempre no final de cada jornada de trabalho.

Lembre-se que o uso dos equipamentos de proteção individual deve sempre ser orientado por profissionais como o técnico ou engenheiro de segurança do trabalho.

 

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